segunda-feira, outubro 31, 2005
sábado, outubro 29, 2005
Minas - Parte II e ainda intermitente
sexta-feira, outubro 28, 2005
quinta-feira, outubro 27, 2005
Odeon e Cachaça
- Amigo, nada contra, mas você poderia apagar o seu fumo?
- Pô, coé mermão! Tô aqui fumando meu baseado em paz, sem incomodar ninguém.
- Mas tá me incomodando. Eu não fumo maconha e tenho que ficar sentindo o cheiro. E você não é aspirador de pó pra eliminar a fumaça.
Aí o cara levantou o tom
- Pô, ó o cara aqui se ligando no meu bagulho.
O pior de tudo é que no filme tinha uma mulher que fumava maconha e cuspia a fumaça no aspirador de pó. Nessa hora ele disse:
- Tu bem que sabe das coisas hein, mermão!!
Vê se pode!
terça-feira, outubro 25, 2005
Sobre a Enxurrada que arrastou o Rio [ou Dos Políticos e suas Conversas]
segunda-feira, outubro 24, 2005
Eu, assim como você

Eu; vinte e um anos,
homem direito,
não formado,
sem dinheiro,
mas de boa família,
venho estufar o peito
e bater com força nos pulmões
a mão em concha
pra vos dizer que tenho medo.
E se o passo acelero,
procurando atravessar
os quilômetros que me separam
do futuro,
é porque busco
a esperança que não encontro
hoje;
eu, cidadão brasileiro,
desarmado, descrente, desesperançoso,
e tantos outros "des",
assim como tu,
luto pela paz e igualdade,
movido unicamente por um coração
e uma alma,
que há de se questionar se existe,
munida de coragem e energia
que me sobrou da última refeição;
eu, assim como tu,
ando estressado, cheio de contas pra pagar,
com um terno escuro
num calor intenso de quarenta graus,
porque sou homem sério
e sei que a impressão primeira
é a que fica, e como vós,
preciso me curvar ao poderio
americano,
mesmo no verão,
mesmo encharcando o terno
com gotas de suor e sacrifício,
porque meu filho,
assim como os vossos,
não se contenta com uma pipa,
ou um carrinho ou um pião,
e minha casa precisa de móveis,
luz e pão;
eu, universitário,
pacífico, morador da Zona Norte,
assim como vós,
não entendo a vida,
mas sigo por instinto
a pressão de ser alguém,
seja qual for o sentido;
porque eu,
homem de vinte e um anos
e um sonho de justiça,
estou aqui, como vós,
por um mero acaso
e agradeço pela chance
de estar vivo.
sábado, outubro 22, 2005
Homem Comum [Ferreira Gullar]

Sou um homem comum
de carne e de memória
de osso e esquecimento.
e a vida sopra dentro de mim
pânica
feito a chama de um maçarico
e pode subitamente
cessar.
Sou como você
feito de coisas lembradas
e esquecidas
rostos e
mãos, o quarda-sol vermelho ao meio-dia
em Pastos-Bons
defuntas alegrias flores passarinhos
facho de tarde luminosa
nomes que já nem sei
bandejas bandeiras bananeiras
tudo
misturado
essa lenha perfumada
que se acende
e me faz caminhar
Sou um homem comum
brasileiro, maior, casado, reservista,
e não vejo na vida, amigo,
nenhum sentido, senão
lutarmos juntos por um mundo melhor.
Poeta fui de rápido destino.
Mas a poesia é rara e não comove
nem move o pau-de-arara.
Quero, por isso, falar com você,
de homem para homem,
apoiar-me em você
oferecer-lhe o meu braço
que o tempo é pouco
e o latifúndio está aí, matando.
Que o tempo é pouco e aí estão o Chase Bank,
a IT & T, a Bond and Share, a Wilson, a Hanna, a Anderson Clayton,
e sabe-se lá quantos outros braços do polvo a nos sugar a vida e a bolsa
Homem comum, igual
a você, cruzo a Avenida sob a pressão do imperialismo.
A sombra do latifúndio
mancha a paisagem
turva as águas do mar
e a infância nos volta
à boca, amarga,
suja de lama e de fome.
Mas somos muitos milhões de homens
comuns
e podemos formar uma muralha
com nossos corpos de sonho e margaridas.
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Porque este poema é maravilhoso e gostaria muito de que ele fizesse parte do meu blog, mesmo não sendo meu. Este sim me comoveu muito no dia em que o Gullar esteve na UFRJ.
quinta-feira, outubro 20, 2005
Tartarugas Podem Voar

Sou iraqueamericano:
filho da guerra e do petróleo.
Fruto do ventre insano
da união do amoródio.
Sou pazarmada
munida de fogo e pedra
sou poesia incompleta
de um artista de meio berço.
Sou de diretaesquerda;
meus olhos estrábicos
não conhecem a diferença.
Sou ocidenteorietal:
Fruto do ventre insano
da união do bem e do mal.
terça-feira, outubro 18, 2005
O preço da liberdade ou As duas metades do equilíbrio
segunda-feira, outubro 17, 2005
quinta-feira, outubro 13, 2005
A Revolta da Natureza
domingo, outubro 09, 2005
Pra Juliana dançar
quinta-feira, outubro 06, 2005
Na hora H
terça-feira, outubro 04, 2005
Sobre o Referendo e os Artistas da Globo
Acontece que é de esperar que as estatísticas apontem que os crimes acidentais são bem menores que os crimes, assim por dizer, cometidos propositalmente; a não ser que algum Garotinho da vida modifique as palavras [porque estatística é tão precisa que não depende apenas das contas, mas também de um bom vocabulário] e diga que uma "rixa entre vizinhos" é o mesmo que "confronto entre traficantes de favelas vizinhas". Porque é possível transformar o Brasil num país perfeito usando apenas a estatística e o Português. É como se fosse comum ao cidadão que tivesse uma arma legalizada em sua casa, de relações estremecidas com sua vizinha Ana, do quatrocentos e um, "estourar os miolos da filha da puta" porque ela botou o som alto no
pagodão que ele odeia. Provavelmente o cara vai usar sua arminha legalizada, registrada em seu nome, para cometer o crime, não é?
Já viram as vinhetas das duas frontes? Perceberam que o fundo de tela posto pelo SIM é branco? Há uma referência implícita à paz nisso tudo. Como se a paz residisse aí, em ser impensante, em agir a favor do amor! É, até o amor já entrou na história, pra ser confundido. Mas eu, que sou contra [inclusive ao referendo, grana pública deveria ser utilizada em prol da educação, mas isso não convém, país de gente pensante é uma ameaça muito maior do que armas de fogo], sei que este referendo vai dar sim e torço por estar errado, mas quem sou eu pra disputar com o Lázaro Ramos e os artistas da Globo?